Entenda a treta sobre limites de banda larga das operadoras

Empresas de telecom usam lógica dos planos de celular para limitar navegação também na banda larga fixa

Se hoje você já acha que as operadoras de banda larga oferecem um serviço caro e de qualidade duvidosa, prepare-se até ficar por dentro do que vem por aí. Aos poucos, as maiores empresas de telecom do país estão começando a mudar a lógica de cobrança da sua internet residencial — e para pior.

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Hoje, a maioria dos consumidores brasileiros paga pela velocidade da banda larga e tem direito a um pacote de dados ilimitado, que permite aproveitar a internet sem restrições. O que as operadoras estão começando a fazer é usar, na sua conexão de casa, as mesmas regras dos planos de celular, ou seja, determinar quanto você pode navegar. Se ultrapassar o limite estabelecido no pacote contratado, a solução vai ser aguentar uma internet lenta, quase parando, pelo resto do mês, ou pagar por um pacote adicional.

Limites criados pelas operadoras são irreais

Quem já se deu o trabalho de comparar as propostas das operadoras descobriu que os limites de navegação são irreais. Nos planos mais caros, a cota mensal vai ser de aproximadamente 60 vídeos de 5 minutos no Youtube ou metade de uma temporada de vinte e poucos episódios de uma série do Netflix, por exemplo. É muito pouco.

A mudança acontece justo num momento em que cada vez mais pessoas trocam a TV por assinatura por serviços de streaming online. Não espanta, portanto, que as empresas de telecom, que já amargam perdas consideráveis graças ao crescimento do WhatsApp no Brasil, tentem de tudo para não perder clientes nos seus serviços de TV. O problema é: às custas de uma imposição abusiva?

Mobilização da sociedade pode reverter a medida

Ainda que a restrição ao consumo de dados não fosse praticada, as operadoras alegam que ela não contraria a lei porque seus contratos já a previam. É o caso da Oi, da Vivo e da NET. Ainda assim, há quem defenda que a novidade, abusiva e excludente, demanda uma mobilização rápida da Anatel, que deveria defender, também, os interesses dos consumidores, e da mídia.

Quem quiser colaborar pode assinar as petições online do Avaaz e do Proteste, além divulgar os movimentos nas redes sociais e abrir reclamações no Procon e na Anatel. Se for adiante, a restrição vai significar um retrocesso para a internet no Brasil — e não só para quem usa a web para fins de entretenimento, mas para quem depende da rede para estudar e trabalhar, também.

Entenda mais sobre o que vem por aí neste vídeo do canal Diolinux, do YouTube: