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Por que a internet brasileira é a que mais cresce no mundo

A internet brasileira é a que mais cresce no mundo. O aumento registrado em 2014 foi de 33% de novos endereços IP.

Uma pesquisa da empresa Akamai constata: a internet brasileira é a que mais cresce no mundo. O aumento registrado em 2014 foi de 33% de novos endereços IP (Protocolos de Internet). Essa é a maior subida entre os dez países com mais endereços únicos em total. Neste segundo critério, o Brasil mantém a terceira posição. Mas, afinal, o que causa esse crescimento, já que o país tem sérias deficiências em sua infraestrutura tecnológica?

O Brasil, que tem no momento 45.469.490 endereços IPv4 únicos, mostrou crescimento trimestral em 3,1%. A lista é liderada pelos EUA (que não registraram crescimento trimestral, mas, sim, redução do número de IP únicos anual). Em seguida vem à China, com crescimento anual de 5,9% e número total de endereços que monta aos 122.119.656.

O detalhe é que o relatório mostra o Brasil como único país a registrar um crescimento de dois dígitos percentuais. Já a queda anual do número de IP únicos em países como o Reino Unido (-8,2%) a Coreia do Sul (-2,2%) e a Itália (-2,9%) não representa, segundo o documento, um declínio de longo prazo, mas deve-se à maior implementação da nova versão do Protocolo da Internet, o IPv6.

O endereçamento na internet segue o protocolo IPv4, versão antiga e já sendo, aos poucos, substituída pelo protocolo IPv6, que permite endereçar um número imensamente maior de computadores conectados à rede.

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O que está por trás do crescimento

Alguns fatores podem explicar o crescimento da internet no Brasil. E isso acontece especialmente porque as demandas por computadores e, consequentemente, novos endereços, não param de aumentar no país.

Para se ter uma ideia, os brasileiros já passam mais tempo na internet do que na TV, quebrando uma tradição de décadas. A informação está na Pesquisa de Mídia Brasileira 2015, divulgada pela Secretaria de Comunicação Social (Secom) da Presidência da República.

De acordo com o estudo, os brasileiros passam, em média, 4 horas e 59 minutos por dia usando a internet durante a semana e 4 horas e 24 minutos/dia nos fins de semana. Já a média de tempo assistindo à TV fica em 4 horas e 31 minutos/dia nos dias de semana e 4 horas e 14 minutos aos sábados e domingos.

“A diferença ainda é pequena, mas mostra uma tendência importante e que deve ser analisada. O tempo (de uso das redes) dá um parâmetro de como o brasileiro está migrando de forma consolidada para os meios de comunicação digitais”, avaliou o ministro da Secom, Thomas Traumann.

A pesquisa da Secom revela que uso da internet é mais influenciado pelas características sociodemográficas que os outros meios de comunicação. E, como renda e escolaridade no país têm aumentado, é natural que também cresça a necessidade de novos endereços.

“Renda e escolaridade criam um hiato digital entre quem é um cidadão conectado e quem não é. Já os elementos geracionais ou etários mostram que os jovens são usuários mais intensos das novas mídias”, disse Traumann.

Quase metade dos domicílios tem computadores

Outro estudo importante para retratar esse crescimento é a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que mostra que o total de domicílios com computadores subiu de 46,4% para 49,5%, de 2012 para 2013. No Nordeste, as casas com esse equipamento cresceram 14%. Dos 32,2 milhões de domicílios brasileiros com computadores em 2013, 28% tinham acesso à internet.

A proporção de internautas cresceu de 49,2%, em 2013, para 50,1%, no ano seguinte. A pesquisa do IBGE indica que, em 2001, 12,6% das unidades residenciais tinham esses aparelhos e, em 2013, esse percentual evoluiu para quase metade dos domicílios. Já as moradias com computador ligado à internet aumentaram de 8,5% para 43,7%, na mesma comparação.

Aproximadamente 86,7 milhões de pessoas com 10 anos de idade ou mais acessaram a internet no período de referência. O crescimento observado foi 2,9% ou 2,5 milhões de usuários. Segundo o IBGE, esse foi o menor índice de expansão registrado a partir de 2008. A taxa de crescimento no número de internautas atingiu o pico de 21,6% de 2008 para 2009. O aumento de internautas com 10 anos ou mais que acessaram a internet em 2013 alcançou maiores percentuais nas regiões Nordeste (4,9%) e Sul (4,5%), com menor índice de ampliação no Norte (0,4%).

A gerente da Pnad, Maria Lúcia Vieira, analisou que o aumento do consumo de bens duráveis, principalmente de computadores, resulta da elevação do rendimento da população.

“Ainda temos muito a avançar em termos de acesso à internet, pois não atingiu a população como um todo”, destacou.