Ativista argentina muda forma de fazer política com app

Até onde a tecnologia pode ajudar um jovem que tem sonhos políticos? Para a argentina Pia Mancini as ferramentas do mundo atual lhe deram armas para lutar por um país melhor. Ela é a criadora do aplicativo DemocracyOS, em que os eleitores dão sua opinião em propostas apresentadas pelo Congresso Nacional da Argentina. O resultado é que os políticos já devem usar o app ainda este ano para votações de projetos importantes. Mas, chegar a esse ponto de convencimento não foi fácil.

Pia esteve na TED Global do Rio de Janeiro, que aconteceu entre 6 e 10 de outubro, onde contou a sua saga e a de amigos para emplacar o aplicativo na Argentina, sendo um dos destaques do último dia de conferência. A ideia de fazer os políticos darem ouvidos à população a princípio parecia fácil, já que os congressistas não estariam fazendo mais do que a obrigação. Mas Pia encontrou muita resistência.

“O sistema político atual é muito fechado e os políticos e as leis têm uma linguagem que só eles entendem, e isso não é por acaso. É para manter o máximo de pessoas de fora deste sistema”, disse a jovem numa palestra.

A proposta do DemocracyOS era justamente contornar este problema ao trazer um resumo das propostas de novas leis em uma linguagem mais acessível ao público. São projetos como a ampliação de subsídios a populações mais pobres no metrô de Buenos Aires, a permissão da venda de sementes de maconha na cidade ou tornar obrigatório um treinamento anual entre taxistas da capital.

Resistência no Congresso

No entanto, ao propor esta ideia aos políticos, Pia disse que foi chamada de ingênua com seus amigos. Foi preciso agir em outra frente. Então, quando o grupo teve certeza que se os partidos não dariam ouvidos aos cidadãos, eles resolveram criar um partido para fazer isso por conta própria.

Em agosto do ano passado, eles lançaram o Partido da Rede. Sua proposta era inédita: todo representante seu que for eleito votará no Congresso de acordo com o que os eleitores decidirem no aplicativo. Segundo Pia, essa era a forma que eles tinham de “hackear” o sistema político argentino.

O partido teve 21 mil votos nas eleições e, apesar de não eleger ninguém, chamou e muito a atenção dos congressistas, que devem usar o aplicativo para discutir três novas leis no país: duas sobre transporte urbano e uma de uso do espaço público. Apesar de não garantirem que vão votar de acordo com que os cidadãos decidirem no app, irão ao menos abrir o espaço de participação popular, o que para Pia e seu grupo é uma vitória.

A ideia defendida por ela e o Partido da Rede é um mudança radical em nosso sistema político, argumentando que “somos cidadãos do século 21 que fazemos o melhor para interagir com instituições do século 19 e baseadas em tecnologias da informação do século 15”.

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