A internet possibilita a liberdade de expressão como em nenhum outro lugar. Essa liberdade, contudo, incomoda a muita gente. Não é à toa que diversos países intensificam cada vez mais a censura a sites e redes sociais. China, Turquia, Rússia e países árabes e do leste europeu são alguns dos principais exemplos de nações que se levantam como verdadeiras inimigas da internet.
No fim de janeiro de 2015, o Facebook acatou uma ordem judicial da Turquia que demandava o bloqueio do acesso de uma página na rede social que supostamente ofendia ao profeta Maomé. Caso o site tivesse recusado a ordem, poderia ter tido o seu acesso bloqueado no país e para os seus cerca de 40 milhões de usuários locais.
A rede social possui uma política para bloquear o acesso a conteúdos que ferem a lei local. A companhia divulga regularmente um relatório a respeito de pedidos governamentais para acesso a dados de usuários em todo o mundo. Em seu último levantamento, que cobre o período de janeiro a junho de 2014, 1.893 pedidos de restrições foram feitos na Turquia.
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Já a China, também no início de 2015, fechou 50 sites e contas em redes sociais por violações das regras do ciberespaço. As infrações incluiriam a publicação de notícias políticas sem permissão e pornografia. Segundo críticos, o governo chinês está retirando o material indesejado da Internet, perseguindo os conteúdos que não deseja e limitando a liberdade de expressão no país.
As autoridades fecharam 17 páginas da rede social Weixin, mais conhecida por WeChat em inglês, 24 sites e nove canais e colunas virtuais. As da Weixin foram fechadas ao longo dos últimos meses de 2014. Segundo a agência de notícias Xinhua, desde que foi lançada a campanha anti-pornografia, foram encerradas 1,8 milhão de contas na rede social Weixin e em serviços de mensagens instantâneas.
Empresas como o Twitter, o Facebook, o YouTube, o Instagram, o Snapchat e o Google estão bloqueados no país mais populoso do mundo.
Ao longo de 2014, o presidente da Venezuela, Nicolas Maduro, determinou diversos bloqueios às redes sociais e outros serviços online. O Twitter, o Facebook e aplicativos de troca de mensagens foram bloqueados ou passaram por constantes falhas técnicas, graças ao provedor CANTV, o serviço oficial do governo.
O simulador de walkie talkie Zello, que é bastante usado na Venezuela e usado para chamar a população para manifestações nas ruas, seria um dos alvos do bloqueio: vários usuários locais reportaram problemas recentemente. O diretor do aplicativo, Bill Moore, já avisou que busca atualizações que liberem o serviço.
O governo da Venezuela já havia sido acusado de bloquear imagens consideradas violentas no Twitter. Após a denúncia chegar à imprensa internacional, a CANTV a desmentiu em um comunicado oficial qualquer envolvimento na “falha reportada por usuários”.
O ano de 2015 nem começou direito e o presidente russo, Vladimir Putin, assinou uma lei que obriga as companhias de internet a armazenar dados sobre usuários russos no próprio país, onde o governo possa ter acesso a eles. A lei entrará em vigor em 1° de setembro.
Em dezembro de 2014, a agência reguladora da internet na Rússia exigiu que o Facebook retirasse uma página que estava divulgando uma manifestação contra o governo. Depois que a rede social bloqueou a página para seus cerca de 10 milhões de usuários russos, surgiram dezenas de páginas de imitadores e a notícia se espalhou em outras redes como o Twitter.
Ainda no ano passado, Moscou passou a exigir que qualquer pessoa com no mínimo três mil seguidores por dia acate regras semelhantes àquelas que se aplicam a uma empresa de mídia. O Google, cujo serviço de busca é o segundo mais usado na Rússia, só perdendo para a local Yandex, anunciou que fechará seus escritórios de engenharia no país.
O governo tailandês bloqueou, em 2014, o acesso de seus cidadãos a mais de 200 sites, incluindo veículos de notícias e de serviços como Google, Facebook e Twitter. As autoridades anunciaram que será implementado um novo plano de vigilância da internet, no qual todo o conteúdo considerado ilegal pelos censores será bloqueado e retirado do ar. Para os militares, que mantêm a ditadura no país, essas páginas são uma ameaça à segurança nacional.
Em maio deste ano, o exército tailandês assumiu o controle da nação, depois de meses de violência e discordância entre governo e oposição. O chefe da força militar destituiu o Primeiro-Ministro, fechou o Parlamento e recebeu aprovação da Monarquia (que apoia as Forças Armadas) para controlar o país. Desde o fim da monarquia absoluta, em 1932, a Tailândia já enfrentou 19 golpes militares.
No início de julho de 2014, o acesso à rede social Facebook também foi proibido no Irã e no Iraque. O cidadão que for pego tentando efetuar login será preso. Anteriormente, o governo iraniano já havia proibido o uso do WhatsApp e do Instagram, sendo que Mark Zuckerberg até foi intimado a depor em uma corte do país. Sanções econômicas e atos de censura como estes são marcas registradas da atual ditadura no país.
O curioso é que o Irã possui uma alta taxa de usuários cadastrados no Facebook, incluindo membros de alto escalão da política local, sendo que a maioria se registra usando nomes falsos. Aplicativos como Viber, Skype e Tango também são muito utilizados nestas regiões para a comunicação.
No Iraque a situação é ainda pior. O governo bloqueou todas as redes sociais com medo de que opositores organizem revoluções por meio desses serviços. Moradores do país já encontram muitas dificuldades em acessar sites como Google, YouTube e Twitter.
Estima-se que na Arábia Saudita existam 400 mil sites bloqueados pelas políticas que regulam a internet no país.
Na Bielorrússia, o uso da internet é regulado por grandes corporações (meios tradicionais de comunicação). Existe um aparelho repressor que age sobre as terras do país do leste-europeu.
Já no Vietnã, a discussão política online não é tolerada pelas autoridades. Debates sobre questões de governo não podem ser feitos nem mesmo por blogueiros e jornalistas.
Na Síria, a revolução que se iniciou em 2011 e que exigia a reforma política no país começou nas redes sociais e foi violentamente barrada por Bashar Al-Assad. Todos os meios de comunicação foram vítimas de bloqueio. Há um controle sobre a infraestrutura comunicacional do país, o que evita a publicação de conteúdo livre através da internet.
De acordo com sites internacionais, as redes sociais mais bloqueadas por governos dos países do Oriente Médio são Facebook, YouTube e Twitter, nesta ordem. O Twitter, entre os três, é o menos bloqueado. O microblog só não pode ser usado na China, nos Emirados Árabes e no Paquistão.
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