Você está no bar, o jogo começou e a mesa tem um QR Code para acessar o cardápio, participar de uma promoção ou pagar a conta. No impulso, aponta a câmera e abre o endereço. Mas como saber se aquele QR Code falso não foi colado por cima do original?
O código pode pertencer ao estabelecimento. Também pode ter sido substituído por alguém interessado em direcionar clientes para uma página fraudulenta. Como o endereço fica escondido dentro da imagem, é fácil avançar sem conferir o destino.
O que você faria: abriria imediatamente ou pararia alguns segundos para verificar o adesivo e o link exibido pelo celular?
QR Codes são práticos porque transformam um endereço, texto ou pagamento em uma imagem que pode ser lida pela câmera. O problema é que a pessoa não consegue identificar visualmente o conteúdo armazenado antes de escanear.
Criminosos podem imprimir outro código e colá-lo sobre o adesivo verdadeiro. Essa prática é conhecida como quishing, uma variação do phishing baseada em QR Code. Em fevereiro de 2026, pesquisadores da Unit 42 relataram uma média superior a 11 mil detecções diárias de códigos maliciosos em suas análises.
Isso não significa que todo código encontrado em um local público seja perigoso. Significa apenas que a origem física do adesivo, sozinha, não confirma que o endereço seja legítimo.
Depois do escaneamento, o celular pode abrir uma página que imita o cardápio, o sistema de pagamento ou o programa de fidelidade do bar. Cores, logotipo e nome do estabelecimento ajudam a criar uma aparência confiável.
A página pode solicitar nome, telefone, CPF, senha ou dados do cartão. Em outros casos, promete Wi-Fi gratuito, desconto na conta ou participação em um sorteio. Essas abordagens usam links maliciosos para conduzir o usuário a uma ação que beneficia o golpista.
Também existe o risco de o endereço iniciar um download, pedir a instalação de um aplicativo fora da loja oficial ou solicitar permissões que não combinam com a finalidade apresentada.
Antes de aproximar a câmera, observe alguns detalhes:
O cadeado no navegador não confirma que o site pertence ao bar. Ele indica que a conexão está criptografada, mas páginas fraudulentas também podem usar esse recurso.
Leia mais: Transmissões da Copa 2026: como separar os links seguros dos perigosos.
Pergunte a um funcionário se o código pertence ao estabelecimento, principalmente quando ele estiver colado em uma mesa, parede ou placa acessível ao público. Em pagamentos, confirme o nome do recebedor e o valor antes de autorizar a transação.
Após escanear, leia o endereço exibido na tela antes de tocar na notificação. Procure o domínio oficial da empresa e desconfie de versões com erros discretos ou termos como “promoção”, “grátis” e “urgente”.
Antes de abrir, uma camada adicional de verificação pode ajudar. O Detector de Links Perigosos do dfndr security analisa o endereço e alerta quando identifica possíveis ameaças, reduzindo o risco de acessar uma página suspeita por impulso.
O Chrome também pode mostrar avisos sobre phishing, malware e páginas enganosas por meio da Navegação Segura do Google. Essa referência oficial complementa a orientação sem substituir a conferência do endereço e da origem do código.
Se você apenas abriu a página, feche-a sem aceitar notificações, permissões ou downloads. Verifique a pasta de arquivos baixados e apague qualquer item iniciado sem sua autorização.
Caso tenha informado uma senha, altere-a diretamente no aplicativo ou site oficial. Se essa combinação for usada em outras contas, troque-a também e ative a autenticação em duas etapas.
Dados de cartão ou informações bancárias exigem contato com a instituição pelos canais oficiais. Monitore as movimentações e nunca volte à página suspeita para tentar cancelar uma cobrança.
Também vale avisar o responsável pelo estabelecimento. Assim, o adesivo pode ser removido antes que outros clientes escaneiem o mesmo código.
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