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Melhor forma de circular em Beijing é sobre duas rodas

Conheça a melhor maneira de se locomover em Beijing e saiba onde comprar a sua moto elétrica na China

O trânsito de Beijing é uma grande zona, os carros vêm de diversos lados e o respeito ao pedestre é praticamente zero. Sem contar que todo condutor pode pegar/virar à direita em um cruzamento/rua, ignorando o sinal de trânsito, que não vale para este motorista. Então, mesmo que o sinal de pedestre esteja aberto/verde para você, cuide-se, porque um carro na situação anterior poderá, teoricamente, passar por cima de você. E isso mesmo que você esteja atravessando na faixa de pedestres (esqueça o Código Nacional de Trânsito brasileiro). Mas acaba ficando uma zona organizada e até hoje não vi nenhum acidente.

Os engarrafamentos também são brutais. É possível levar mais de 1h para percorrer uma distância equivalente a sair da Rua Siqueira Campos, em Copacabana, e chegar ao shopping Rio Sul, no bairro vizinho carioca de Botafogo.

Agora que você já sabe o cuidado que deve ter ao andar nas ruas da China, vem outro desafio: aprender a mover-se na cidade. É uma tarefa complicada. Um ditado local diz que você só pode se considerar chinês quando aprende a se movimentar por Beijing com velocidade. Não por acaso, as motos elétricas são os veículos mais populares para transporte na capital.

Como os táxis aqui não param – e ser pedestre é um perigo – decidi comprar a minha moto para enfrentar o louco trânsito local. Todas as ruas, excluindo-se as grandes avenidas, têm faixas exclusivas para motos e bicicletas, mas estes veículos também trafegam na calçada. Não tem uma Lei de Trânsito rígida, inclusive o uso do capacete não é obrigatório (qualquer coincidência com a área de tríplice fronteira do Brasil é apenas uma coincidência mesmo). Porém, aqui, a grande maioria das motos é elétrica. Motos que imitam Vespas, modelos esportivos etc., todas movidas à eletricidade.

É preciso respeitar os carros

Sempre quis ter um veículo elétrico de duas rodas. No Brasil, queria comprar uma bicicleta, mas os modelos eram muito caros, por volta de R$ 4 mil. Aqui, comecei a considerar a compra de uma moto assim que cheguei, já que os modelos são mais descolados e os preços muito mais atrativos. O comércio local bomba. Como é tudo elétrico, não tem marcha e não tem tanta velocidade. Talvez por isso, seja tão comum ver estes veículos dividindo espaço com pedestres nos passeios. Eu ainda evito andar na calçada.

A autonomia dessas motos chega a 20 Km ou 30 Km, com velocidade de, no máximo, 50 Km/h. Porém, ninguém atinge esta velocidade, principalmente por causa do frio desta época do ano na cidade.

Para andar de moto em Beijing, recebi algumas dicas por conta das particularidades do trânsito chinês. É preciso respeitar os carros. Lição que deve ser aprendida antes de comprar o veículo e ganhar as ruas.

Onde e qual modelo de moto comprar

Comecei pesquisando meu novo brinquedo em Wangjing, bairro onde moro, com forte presenta sul-coreana, mas não achei nada muito barato. Cruzei a cidade e fui para Wudaokou, bairro universitário com muitas lojas de bicicletas e motos elétricas, com foco no público estudante estrangeiro que busca qualidade de ensino universitário e escolhe o bairro para morar – três das cinco melhores universidades do País fica aqui.

Em Wudaokou todo mundo usa moto ou bicicleta elétrica. Escolhi a moto da moda entre os moradores do bairro universitário, um modelo com muitas opções de cores. Com um pouco de pechincha, consegui comprar a minha por cerca de R$ 850, o que seria o valor de uma bicicleta comum aí no Rio. E olha que ela é considerada de padrão médio-alto. Poucas motos eram mais caras que esta, a maioria com bateria de lithium. Comprei uma com duas baterias grandes de chumbo para ganhar maior autonomia.

Carregando 7h ininterruptamente posso andar 30 Km numa velocidade mediana e, com isso, carregá-la de três em três dias para conseguir percorrer o trajeto que necessito cumprir diariamente.

Subi na moto e, em menos de 4 dias, já estou bem seguro. Em minha primeira experiência elétrica sobre duas rodas já me sinto o Valentino Rossi, só que ao invés de circular nas ruas da Itália, ando pelas ruas da China. A parte ruim é não poder levar esta moto maravilhosa e barata para o Brasil. Quando voltar, terei que deixar o veículo aqui.

Buzinar é preciso

A buzina é item obrigatório. Existe uma expectativa de que você conduza sua moto buzinando. A sociedade chinesa espera este aviso. É cultural e barulhento. Acho que por isso andam livremente sobre as calçadas.

Outras regras de convivência

As normas, muitas vezes bobas, de convivência do Brasil não são vistas aqui. Por exemplo, guardo minha moto dentro do meu apartamento e não preciso subir pelo elevador de carga quando estou com o veículo. Uso qualquer elevador, a qualquer hora. Posso dividir o espaço com uma mulher e seu carrinho de feira, um executivo que desce para trabalhar ou qualquer pessoa que circule nos elevadores. Acho isso bem prático. E olha que os elevadores aqui são bem pequenos.

Roubo não tem, mas furto…

Beijing é uma cidade mega-ultra-segura. Você pode andar a qualquer hora nas ruas sem medo. Aqui não existe assalto ou roubo à mão armada, o que não quer dizer que não haja furtos. A forte concentração de pessoas é cotidiana nesta mega-cidade e, num tumulto, você pode ficar facilmente sem a sua carteira. E furtos de bicicletas e motos elétricas existem aos montes. Então, você pode estacionar a moto, entrar em uma lanchonete pra tomar um café, voltar e não encontrar o veículo mais lá.

Como proteger sua moto na China

Você tem que comprar um cadeado para sua moto. Mas atenção, se você compra um modelo muito poderoso, os ladrões podem quebrar a sua moto em represália a você ter comprado uma tranca ‘foda’, com intuito de impedir o furto. E se você compra um modelo de proteção muito simples, vão roubá-la, já que é muito simples quebrá-lo. Você precisa achar um cadeado para impedir o furto ao mesmo tempo que evita deixar o ladrão furioso.

Muitas vezes, o cadeado também não adianta nada. Como a tranca fica na roda da frente, caso os ladrões venham de van, poderão carregar a sua moto e levá-la no bagageiro, com tranca e tudo. Já ouvi algumas histórias como esta.

Por mais que a moto tenha alarme, cadeado (modelo médio) e trava no guidom, você sempre tem que estar ligado no fato de que aqui o furto é fácil e corriqueiro. Ter estes veículos exige cuidados, como parar em estacionamentos, locais mais movimentados ou vigiados por câmeras e guardá-las dentro de casa. Isso pode evitar que seu veículo seja levado.

Além de fiel escudeira na minha difícil tarefa de locomoção por Beijing, vou usar a motoca para descobrir outras curiosidades da capital da China para contar a você aqui, nesta coluna do Blog da PSafe. O ruim é que, como o Google é bloqueado, terei que me virar utilizando o Baidu Maps. Aí vem a maior dúvida. Será que funciona? :/ De qualquer maneira, quero deixar aqui, nosso encontro marcado: até quarta!

Sobhan Daliry

Meio paraibano meio iraniano. Fala Persa, Inglês, Português e Espanhol, mas terá que se virar no Mandarin, em Beijing. Diretor de Produto e empreendedor. Foi enviado para o outro lado do mundo com o desafio de montar o primeiro escritório da PSafe outside BraZil. O resultado desta empreitada e o dia a dia do executivo na Ásia, você lê aqui no Blog, todas as segundas e quartas-feiras, às 19h.