Se você caiu em um golpe do Pix, conteste a transação imediatamente no aplicativo do banco, acione o Mecanismo Especial de Devolução, avise a instituição pelos canais oficiais e registre boletim de ocorrência. Preserve comprovante, conversa, chave e horários. O MED aumenta a possibilidade de recuperação, mas não garante a devolução.
Medidas imediatas após um golpe do Pix
Abra o aplicativo oficial da instituição e procure a transação para registrar a contestação por fraude. Depois, contate o banco por um canal verificado e registre a ocorrência policial. A rapidez importa porque os valores podem ser movimentados e o bloqueio depende de recursos localizados nas contas envolvidas.
Siga esta ordem:
- conteste o Pix no aplicativo;
- anote o protocolo da instituição;
- preserve comprovante, chave, titular, valor e horário;
- salve mensagens, áudios, anúncios e números usados;
- registre boletim de ocorrência;
- revise outras transações e dispositivos conectados;
- proteja as contas ou credenciais que também foram expostas.
O Ministério da Justiça e Segurança Pública orienta procurar o banco imediatamente e incluir no boletim de ocorrência todas as evidências do contato e da transferência.
Como acionar o Mecanismo Especial de Devolução?
O MED deve ser acionado no próprio aplicativo ou canal oficial da instituição que enviou o Pix. Selecione a transação e indique que ela decorreu de golpe, fraude ou crime. Não procure o banco recebedor nem negocie com o suposto golpista para iniciar o procedimento.
Segundo o Banco Central, em atualização de 7 de julho de 2025, o pedido pode ser registrado em até 80 dias após o Pix. Esperar esse prazo, porém, reduz a possibilidade de localizar saldo.
O fluxo inclui:
- reclamação na instituição do pagador;
- avaliação de enquadramento no MED;
- bloqueio de recursos disponíveis;
- análise pelas instituições envolvidas;
- devolução integral ou parcial se a fraude for confirmada e houver valores.
O Banco Central não recebe diretamente o pedido de devolução: ele deve começar no banco ou instituição de pagamento do cliente.
O MED garante que o dinheiro será devolvido?
Não. O MED cria um processo de análise e bloqueio, mas a devolução depende do enquadramento do caso, da comprovação da fraude e da existência de recursos recuperáveis. O banco não é obrigado a usar dinheiro próprio para repor automaticamente o valor enviado pela vítima.
Segundo o Banco Central, na atualização de 7 de julho de 2025, casos aceitos são analisados em até sete dias e, confirmada a fraude, a devolução dos valores bloqueados ocorre em até 96 horas. A recuperação pode ser parcial.
O MED também não é uma forma comum de cancelar:
- compra legítima com desacordo comercial;
- Pix enviado à pessoa errada por digitação;
- pagamento de produto recebido sem a qualidade esperada;
- arrependimento depois de uma transferência autorizada sem fraude.
Nessas situações, procure a instituição e os canais de defesa do consumidor adequados.
Quais provas devo guardar depois do golpe?
Guarde tudo que conecte o contato, a história apresentada e a transferência realizada. As provas ajudam o banco, a polícia e eventuais canais de reclamação a entenderem a sequência. Não apague a conversa nem bloqueie o perfil antes de registrar os elementos relevantes.
Preserve:
- comprovante completo do Pix;
- identificação da transação;
- chave e dados do recebedor;
- data, horário e valor;
- número de telefone e perfil usado;
- mensagens, áudios e registros de chamada;
- URL, anúncio ou página falsa;
- nome de aplicativos instalados;
- protocolos do banco;
- boletim de ocorrência.
Capturas de tela ajudam, mas mantenha também arquivos e comprovantes originais quando disponíveis.
Preciso trocar senhas depois do golpe do Pix?
Troque senhas se você as informou, digitou credenciais em página falsa, instalou aplicativo, compartilhou a tela ou permitiu acesso remoto. Se o golpe consistiu apenas em uma transferência induzida, a troca pode não ser a primeira medida, mas ainda é necessário revisar sessões, dispositivos e movimentações.
Quando houver suspeita de acesso ao celular:
- use outro aparelho confiável para contatar o banco;
- encerre sessões desconhecidas;
- troque primeiro a senha do e-mail principal;
- altere banco, conta Google e mensageiros;
- ative autenticação em dois fatores;
- remova aplicativos e permissões suspeitas;
- faça uma análise de segurança no aparelho.
Não faça essas mudanças no mesmo dispositivo enquanto um acesso remoto continuar ativo.
O que fazer se o banco não resolver a contestação?
Peça a resposta formal e mantenha o número de protocolo. Depois, use a ouvidoria da instituição. Se o problema continuar, registre reclamação no Banco Central, procure o Procon ou avalie orientação jurídica. Esses canais não substituem o pedido inicial do MED nem garantem ressarcimento.
Organize em uma pasta:
- resposta da instituição;
- protocolos e datas;
- comprovante do Pix;
- boletim de ocorrência;
- provas da abordagem;
- descrição cronológica do caso.
Não pague intermediários que prometem “desbloquear” o MED. Criminosos podem usar os dados do primeiro golpe para oferecer uma recuperação falsa.
Qual é a análise da PSafe sobre a resposta ao golpe do Pix?
Nossa análise divide a resposta em três frentes simultâneas: dinheiro, identidade e dispositivo. Acionar apenas o MED pode deixar a conta exposta; trocar somente a senha pode ignorar a transferência; limpar o celular pode apagar provas. A prioridade correta depende do caminho usado no golpe.
Use a matriz:
- dinheiro: contestação, MED, banco e protocolos;
- identidade: senhas, sessões, e-mail e documentos;
- dispositivo: aplicativo remoto, permissões e análise de segurança;
- evidências: comprovantes, conversa e boletim de ocorrência.
As quatro frentes precisam avançar sem que uma destrua informações necessárias à outra.
Perguntas frequentes sobre golpe do Pix
Quanto tempo tenho para acionar o MED?
O Banco Central informa prazo de até 80 dias após a transação em caso de fraude, golpe ou crime. Acione imediatamente, pois a disponibilidade de valores pode diminuir com o tempo.
Posso acionar o MED por telefone?
Todas as instituições devem oferecer o serviço no aplicativo. Se precisar de ajuda, contate também a central oficial, mas não use telefones enviados pelo golpista.
O boletim de ocorrência devolve o dinheiro?
Não. O BO registra os fatos e reúne evidências. A tentativa de devolução pelo Pix começa na instituição financeira por meio da contestação e do MED.
O banco pode negar o MED?
O banco avalia se o caso se enquadra nas regras. Peça a justificativa e o protocolo; se discordar, use ouvidoria, Banco Central, Procon ou orientação jurídica.
Devo falar com a pessoa que recebeu o Pix?
Não dependa desse contato para agir. Preserve as provas e procure o banco. Continuar a conversa pode gerar pressão, novos pagamentos ou falsas promessas de devolução.
Existe taxa para recuperar um Pix?
Não pague taxa a desconhecidos para acionar o MED. O pedido é feito pela instituição financeira. Oferta de recuperação mediante pagamento antecipado é sinal de novo golpe.
Proteção complementar: depois de contestar a fraude e proteger as contas, use o Pix Check do dfndr security em novas chaves recebidas por mensagens compatíveis. Ele auxilia na conferência, mas não recupera transferências já realizadas.