Se você caiu em um golpe do Pix, conteste a transação imediatamente no aplicativo do banco, acione o Mecanismo Especial de Devolução, avise a instituição pelos canais oficiais e registre boletim de ocorrência. Preserve comprovante, conversa, chave e horários. O MED aumenta a possibilidade de recuperação, mas não garante a devolução.

Medidas imediatas após um golpe do Pix

Abra o aplicativo oficial da instituição e procure a transação para registrar a contestação por fraude. Depois, contate o banco por um canal verificado e registre a ocorrência policial. A rapidez importa porque os valores podem ser movimentados e o bloqueio depende de recursos localizados nas contas envolvidas.

Siga esta ordem:

  1. conteste o Pix no aplicativo;
  2. anote o protocolo da instituição;
  3. preserve comprovante, chave, titular, valor e horário;
  4. salve mensagens, áudios, anúncios e números usados;
  5. registre boletim de ocorrência;
  6. revise outras transações e dispositivos conectados;
  7. proteja as contas ou credenciais que também foram expostas.

O Ministério da Justiça e Segurança Pública orienta procurar o banco imediatamente e incluir no boletim de ocorrência todas as evidências do contato e da transferência.

Como acionar o Mecanismo Especial de Devolução?

O MED deve ser acionado no próprio aplicativo ou canal oficial da instituição que enviou o Pix. Selecione a transação e indique que ela decorreu de golpe, fraude ou crime. Não procure o banco recebedor nem negocie com o suposto golpista para iniciar o procedimento.

Segundo o Banco Central, em atualização de 7 de julho de 2025, o pedido pode ser registrado em até 80 dias após o Pix. Esperar esse prazo, porém, reduz a possibilidade de localizar saldo.

O fluxo inclui:

  • reclamação na instituição do pagador;
  • avaliação de enquadramento no MED;
  • bloqueio de recursos disponíveis;
  • análise pelas instituições envolvidas;
  • devolução integral ou parcial se a fraude for confirmada e houver valores.

O Banco Central não recebe diretamente o pedido de devolução: ele deve começar no banco ou instituição de pagamento do cliente.

O MED garante que o dinheiro será devolvido?

Não. O MED cria um processo de análise e bloqueio, mas a devolução depende do enquadramento do caso, da comprovação da fraude e da existência de recursos recuperáveis. O banco não é obrigado a usar dinheiro próprio para repor automaticamente o valor enviado pela vítima.

Segundo o Banco Central, na atualização de 7 de julho de 2025, casos aceitos são analisados em até sete dias e, confirmada a fraude, a devolução dos valores bloqueados ocorre em até 96 horas. A recuperação pode ser parcial.

O MED também não é uma forma comum de cancelar:

  • compra legítima com desacordo comercial;
  • Pix enviado à pessoa errada por digitação;
  • pagamento de produto recebido sem a qualidade esperada;
  • arrependimento depois de uma transferência autorizada sem fraude.

Nessas situações, procure a instituição e os canais de defesa do consumidor adequados.

Quais provas devo guardar depois do golpe?

Guarde tudo que conecte o contato, a história apresentada e a transferência realizada. As provas ajudam o banco, a polícia e eventuais canais de reclamação a entenderem a sequência. Não apague a conversa nem bloqueie o perfil antes de registrar os elementos relevantes.

Preserve:

  • comprovante completo do Pix;
  • identificação da transação;
  • chave e dados do recebedor;
  • data, horário e valor;
  • número de telefone e perfil usado;
  • mensagens, áudios e registros de chamada;
  • URL, anúncio ou página falsa;
  • nome de aplicativos instalados;
  • protocolos do banco;
  • boletim de ocorrência.

Capturas de tela ajudam, mas mantenha também arquivos e comprovantes originais quando disponíveis.

Preciso trocar senhas depois do golpe do Pix?

Troque senhas se você as informou, digitou credenciais em página falsa, instalou aplicativo, compartilhou a tela ou permitiu acesso remoto. Se o golpe consistiu apenas em uma transferência induzida, a troca pode não ser a primeira medida, mas ainda é necessário revisar sessões, dispositivos e movimentações.

Quando houver suspeita de acesso ao celular:

  1. use outro aparelho confiável para contatar o banco;
  2. encerre sessões desconhecidas;
  3. troque primeiro a senha do e-mail principal;
  4. altere banco, conta Google e mensageiros;
  5. ative autenticação em dois fatores;
  6. remova aplicativos e permissões suspeitas;
  7. faça uma análise de segurança no aparelho.

Não faça essas mudanças no mesmo dispositivo enquanto um acesso remoto continuar ativo.

O que fazer se o banco não resolver a contestação?

Peça a resposta formal e mantenha o número de protocolo. Depois, use a ouvidoria da instituição. Se o problema continuar, registre reclamação no Banco Central, procure o Procon ou avalie orientação jurídica. Esses canais não substituem o pedido inicial do MED nem garantem ressarcimento.

Organize em uma pasta:

  • resposta da instituição;
  • protocolos e datas;
  • comprovante do Pix;
  • boletim de ocorrência;
  • provas da abordagem;
  • descrição cronológica do caso.

Não pague intermediários que prometem “desbloquear” o MED. Criminosos podem usar os dados do primeiro golpe para oferecer uma recuperação falsa.

Qual é a análise da PSafe sobre a resposta ao golpe do Pix?

Nossa análise divide a resposta em três frentes simultâneas: dinheiro, identidade e dispositivo. Acionar apenas o MED pode deixar a conta exposta; trocar somente a senha pode ignorar a transferência; limpar o celular pode apagar provas. A prioridade correta depende do caminho usado no golpe.

Use a matriz:

  • dinheiro: contestação, MED, banco e protocolos;
  • identidade: senhas, sessões, e-mail e documentos;
  • dispositivo: aplicativo remoto, permissões e análise de segurança;
  • evidências: comprovantes, conversa e boletim de ocorrência.

As quatro frentes precisam avançar sem que uma destrua informações necessárias à outra.

Perguntas frequentes sobre golpe do Pix

Quanto tempo tenho para acionar o MED?

O Banco Central informa prazo de até 80 dias após a transação em caso de fraude, golpe ou crime. Acione imediatamente, pois a disponibilidade de valores pode diminuir com o tempo.

Posso acionar o MED por telefone?

Todas as instituições devem oferecer o serviço no aplicativo. Se precisar de ajuda, contate também a central oficial, mas não use telefones enviados pelo golpista.

O boletim de ocorrência devolve o dinheiro?

Não. O BO registra os fatos e reúne evidências. A tentativa de devolução pelo Pix começa na instituição financeira por meio da contestação e do MED.

O banco pode negar o MED?

O banco avalia se o caso se enquadra nas regras. Peça a justificativa e o protocolo; se discordar, use ouvidoria, Banco Central, Procon ou orientação jurídica.

Devo falar com a pessoa que recebeu o Pix?

Não dependa desse contato para agir. Preserve as provas e procure o banco. Continuar a conversa pode gerar pressão, novos pagamentos ou falsas promessas de devolução.

Existe taxa para recuperar um Pix?

Não pague taxa a desconhecidos para acionar o MED. O pedido é feito pela instituição financeira. Oferta de recuperação mediante pagamento antecipado é sinal de novo golpe.

Proteção complementar: depois de contestar a fraude e proteger as contas, use o Pix Check do dfndr security em novas chaves recebidas por mensagens compatíveis. Ele auxilia na conferência, mas não recupera transferências já realizadas.