Vishing é um tipo de phishing realizado por ligação telefônica ou mensagem de voz. O criminoso se passa por banco, órgão público, suporte ou empresa conhecida para obter senhas, códigos, transferências ou acesso ao celular. O número exibido, o conhecimento de dados pessoais e a fala profissional não comprovam a identidade do atendente.

Entenda como funciona o vishing

Vishing combina voz com phishing. A fraude usa chamadas telefônicas, áudios ou centrais falsas para manipular a vítima e fazê-la revelar dados ou executar procedimentos. O contato pode começar por ligação, SMS ou WhatsApp e continuar em outro canal para parecer mais organizado e legítimo.

O falso atendente pode alegar:

  • compra ou Pix não reconhecido;
  • invasão da conta bancária;
  • atualização cadastral obrigatória;
  • problema com benefício ou imposto;
  • suporte técnico urgente;
  • prêmio, restituição ou estorno;
  • investigação sigilosa em andamento.

O objetivo é manter a pessoa sob pressão. Frases como “não desligue”, “não fale com ninguém” e “faça agora” impedem uma confirmação independente.

Como funciona o golpe de vishing?

O vishing cria uma falsa autoridade e conduz a vítima por etapas que parecem procedimentos de segurança. O criminoso pode conhecer nome, banco ou transações para ganhar confiança. Em seguida, pede senha, código, instalação de acesso remoto ou transferência para uma suposta conta protegida.

O roteiro comum é:

  1. contato sobre um risco urgente;
  2. validação com dados pessoais que o criminoso já possui;
  3. instrução para abrir o banco, instalar aplicativo ou compartilhar tela;
  4. pedido de código, senha ou movimentação financeira;
  5. tentativa de impedir que a vítima encerre a ligação;
  6. uso dos dados ou do acesso para realizar operações.

O CTIR Gov, em recomendação atualizada em 21 de maio de 2026, orienta interromper a ligação suspeita, não fornecer credenciais e confirmar a solicitação por canais oficiais obtidos de forma independente.

Quais sinais indicam uma ligação falsa?

Uma ligação pode ser falsa quando combina urgência, sigilo e instruções que entregam controle ao atendente. Bancos e órgãos podem fazer contatos legítimos, mas a pessoa deve interromper a chamada e retornar por um canal oficial sempre que houver pedido de dado sensível, instalação ou movimentação.

Sinais importantes:

  • pedido de senha completa ou código de autenticação;
  • orientação para fazer Pix de “teste” ou “segurança”;
  • solicitação para instalar AnyDesk, RustDesk ou outro acesso remoto;
  • instrução para compartilhar a tela do celular;
  • ameaça de perda imediata de dinheiro ou benefício;
  • exigência de manter a chamada ativa durante o procedimento;
  • número que parece oficial, mas foi recebido sem solicitação;
  • tentativa de transferir a ligação para vários falsos setores;
  • conhecimento de dados usado como prova de identidade.

O LNCC alerta que instituições confiáveis não solicitam Pix nem instalação de acesso remoto por telefone.

O número exibido na tela confirma quem está ligando?

Não. O identificador de chamadas pode ser falsificado, e números semelhantes aos de instituições podem ser usados para aumentar a confiança. Mesmo quando o visor mostra um nome conhecido, a ligação recebida não deve ser usada para validar pedidos de senha, código, transferência ou instalação.

A verificação correta é independente:

  1. encerre a chamada;
  2. aguarde alguns instantes;
  3. abra o aplicativo oficial ou use o número do verso do cartão;
  4. conte o que ocorreu sem seguir as instruções anteriores;
  5. confirme se existe alerta ou movimentação real;
  6. bloqueie cartões e acessos se houver risco identificado.

Não retorne para o número informado pelo próprio atendente. Procure o contato em uma fonte oficial já conhecida.

O que fazer durante uma ligação suspeita?

Encerre a chamada sem discutir e não execute nenhum procedimento. Não abra o aplicativo bancário, não compartilhe a tela e não instale programas. Se o contato enviar um link ou chave Pix durante a conversa, não os use. A urgência alegada pode ser verificada depois no canal oficial.

Durante a abordagem:

  • não confirme dados além do necessário;
  • não digite códigos no teclado do telefone;
  • não transfira dinheiro para “cancelar” operação;
  • não entregue cartão a suposto motoboy;
  • não permita acesso remoto ao aparelho;
  • não mantenha a ligação enquanto abre o banco;
  • preserve o número, horário e mensagens recebidas.

Se a ligação incluir um endereço, o Detector de Links Perigosos pode avaliar o link, mas a instituição ainda precisa ser confirmada separadamente.

O que fazer se compartilhei dados ou dinheiro?

Contate imediatamente o banco ou serviço pelo canal oficial, altere credenciais e informe exatamente o que foi compartilhado. Se instalou acesso remoto, desconecte o celular da internet e remova o aplicativo após registrar as evidências. Para movimentações financeiras, conteste as operações sem esperar novo contato.

Prioridades:

  1. bloquear cartões, conta ou dispositivo quando indicado pela instituição;
  2. trocar senhas a partir de um aparelho confiável;
  3. encerrar sessões e remover dispositivos desconhecidos;
  4. revogar permissões de acesso remoto e acessibilidade;
  5. revisar Pix, empréstimos, boletos e compras;
  6. registrar boletim de ocorrência com números, horários e comprovantes;
  7. monitorar novas tentativas de contato.

O Ministério da Justiça e Segurança Pública orienta procurar imediatamente os bancos, alterar senhas e registrar a ocorrência.

Qual é a análise da PSafe sobre vishing?

Nossa análise considera que o vishing tenta transformar instrução em autenticação: o criminoso parece legítimo porque sabe orientar, transferir setores e citar dados. Porém, competência aparente não prova identidade. O teste decisivo é permitir que o usuário interrompa o contato e confirme por conta própria.

Três limites tornam a ligação mais segura:

  • controle do canal: o usuário escolhe por onde retornar;
  • controle do aparelho: ninguém recebe tela, código ou acesso remoto;
  • controle da operação: nenhuma transferência é feita para corrigir outra.

Se o atendente tenta retirar qualquer um desses controles, a ligação deve ser tratada como suspeita.

Perguntas frequentes sobre vishing

Vishing acontece apenas por ligação?

O elemento central é o uso da voz, por ligação ou áudio, para manipular a vítima. A abordagem pode começar por SMS, e-mail ou WhatsApp e depois migrar para uma falsa central telefônica.

Banco pode ligar sobre compra suspeita?

Pode haver contato legítimo, mas não é seguro fornecer senha, código ou executar transferências na chamada recebida. Encerre e confirme pelo aplicativo oficial, número do cartão ou agência.

Atendente pode pedir para instalar aplicativo?

Não instale acesso remoto ou ferramenta desconhecida a pedido de quem ligou. Esse tipo de programa pode permitir que terceiros vejam a tela e controlem o aparelho. Confirme qualquer suporte pelo canal oficial iniciado por você.

É seguro digitar a senha no teclado durante a chamada?

Não siga instruções de uma ligação não confirmada para digitar senha ou código. Tons do teclado, sistemas falsos ou o próprio procedimento podem ser usados para capturar informações. Use apenas o aplicativo oficial aberto por iniciativa própria.

O que é uma “conta segura” para transferência?

Não existe necessidade de enviar Pix para outra conta para proteger o saldo. Essa instrução é um sinal de golpe. Encerre a chamada e consulte o banco pelo canal oficial.

Como denunciar uma ligação falsa?

Bloqueie o número, informe a instituição imitada e registre ocorrência se houve tentativa relevante, perda ou compartilhamento de dados. Preserve horários, gravações disponíveis, mensagens, chaves e comprovantes.

Proteção complementar: se a ligação enviar um endereço, encerre o contato e verifique-o com o Detector de Links Perigosos do dfndr security antes de qualquer acesso. A análise do link não substitui a confirmação da instituição.