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Black Friday 2021: como a data se transformou em “Black Fraude”?

Seria a Black Friday 2021 mais uma edição da "Black Fraude"? Descubra a história por trás desse termo e se proteja das fraudes deste ano.

Muita gente aguarda ansiosamente pela Black Friday 2021 para fazer compras e economizar de verdade. Para o varejo no Brasil, a data normalmente cai na quarta sexta-feira de novembro, e representa um ponto de partida para o intenso período de compras de Natal. Mas será que as ofertas valem a pena? Ou o evento é uma “Black Fraude”, como dizem por aí?

Neste post, você vai descobrir qual é a história por trás do nome da “Black Friday”, além de entender como, e por que ela se transformou em uma “Black Fraude” no Brasil.

Afinal, por que a Black Friday tem este nome?

O termo quer dizer, literalmente, “sexta-feira negra” em inglês. Os primeiros registros históricos dessa expressão fazem referência a um evento ocorrido nos Estados Unidos, no dia 24 de setembro de 1869 (uma sexta-feira).

Neste dia, dois especuladores (Jay Gould e James Fisk) tentaram manipular o mercado de ouro da bolsa de NY, fazendo os seus preços dispararem. O governo americano interveio, e aumentou a oferta de ouro no mercado. É aí que vemos como aquela regra básica de oferta e procura da economia é implacável: quando há o aumento da oferta de um produto, os preços tendem a cair.

Foi exatamente isto o que aconteceu com o ouro naquela fatídica sexta-feira. Os preços não só baixaram, mas despencaram.

Muitos investidores perderam fortunas. Essa seria uma das principais origens do termo “Black Friday”, mas o que muita gente não sabe é se a inspiração do seu uso atual realmente vem daí. Outros eventos influenciaram o termo e dificilmente há um consenso entre eles.

As histórias que deram origem ao termo

Outra tese curiosa do passado envolve uma newsletter sobre o mercado de trabalho nos Estados Unidos. Ela reivindica a autoria do termo “Black Friday” já que, em 1951, uma circular da empresa Factory Management and Maintenance acabou reportando um fato que chamava a atenção: toda sexta-feira (logo após o Dia de Ação de Graças), um grande número de profissionais sempre ligava para trabalho dizendo estarem doentes. 

A circular dizia que a síndrome na sexta-feira pós Dia de Ação de Graças era uma doença, cujos efeitos adversos se comparavam aos da peste bubônica (ou pelo menos é assim que se sentiam aqueles que tinham que trabalhar quando chega a Black Friday). É curioso notar a referência à peste bubônica, que é conhecida também em inglês como “Black Death” (ou “peste negra” em português).

Apesar deste fato, o termo “Black Friday” só começou a ganhar popularidade por meio de policiais da Filadélfia. Esses profissionais se sentiam frustrados com o trânsito causado pelo grande fluxo de consumidores naquele dia, e então começaram então a se referir a essa data com o nome “Black Friday”.

Os lojistas da época, obviamente, não gostaram de associar a data com engarrafamentos e tumultos. Eles tentaram mudar o nome para “Big Friday” (ou “a grande sexta-feira”, em inglês), segundo um jornal local de 1961. Mas a ideia não fez tanto sucesso, já que o primeiro termo já estava popularizado.

Por que a data cai sempre no final de Novembro?

O evento acontece tradicionalmente no dia seguinte ao feriado de Ação de Graças, quando os americanos se reúnem em família para agradecer pelas coisas boas que aconteceram durante o ano.

O Dia de Ação de Graças, por sua vez, era comemorado pelos americanos na última quinta-feira de Novembro, entre meados do século 19 e início do século 20. Acontece que, em anos diferentes, alguns meses tem quatro quintas-feiras, e outros cinco. Por isso, esse feriado pode cair na quarta ou na quinta-feira.

A data da Black Friday variava, assim como o Dia de Ação de Graças (já que cai no dia seguinte ao feriado). Em 1939, algo diferente aconteceu: a última quinta-feira de Novembro foi também o último dia do mês.

Lojistas americanos ficaram preocupados, já que o período de compras para as festas de fim de ano seria muito curto. Então fizeram uma petição para o adiantamento do feriado em uma semana. O presidente Franklin Roosevelt autorizou, em 1941, que o Dia de Ação de Graças fosse comemorado sempre na quarta quinta-feira de novembro, para garantir uma semana extra de compras até o Natal.

Quando a data começou a se espalhar pelo mundo?

A Black Friday permaneceu restrita à Filadélfia por muito tempo e não se tornou referência nacional até a década de 90. Foi no fim dos anos 2000 que a febre começou a atingir o Canadá, já que muitos moradores desse país já estavam cruzando a fronteira com os Estados Unidos para aproveitar os descontos no país vizinho. Diante disso, os lojistas canadenses passaram a oferecer suas próprias liquidações.

No México, a Black Friday ganhou um novo nome: El Buen Fin (ou “um bom fim de semana”, em espanhol). A comemoração é associada ao aniversário da revolução de 1910 no país (que, coincidentemente, às vezes cai na mesma data que o Dia de Ação de Graças nos Estados Unidos). Como o próprio nome sugere, o evento dura o final de semana inteiro.

Sabemos que, no Brasil, o feriado de Ação de Graças não existe. Ainda assim, a data entrou para o calendário do comércio a partir de 2010, quando algumas empresas perceberam que uma data de descontos antes do Natal poderia alavancar as vendas.

Quando a Black Friday se tornou “Black Fraude”?

Hoje, a Black Friday é a segunda data de maior faturamento do comércio local no ano, perdendo apenas para o Natal. Porém, nem tudo são flores. No começo da adoção da data, conforme as vendas foram aumentando, também se multiplicaram os problemas.

  • Maquiagens de preços: era comum elevar o preço de alguns produtos antes da Black Friday para depois reduzi-lo novamente e passar a impressão de promoção. Assim surgiu o famoso jargão “tudo pela metade do dobro”. Em 2020, o Ibevar (Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo & Mercado de Consumo) identificou aumentos de até 70% em preços de produtos, pouco antes da Black Friday.
  • Falhas técnicas nas compras online: sites sobrecarregados ou fora do ar, mudanças de preços após a inserção do produto no carrinho, métodos de pagamento indisponíveis e outros transtornos fizeram vários consumidores se sentirem enganados. Isso certamente prejudicou a imagem da Black Friday no Brasil.
  • Tentativas de golpes: com a previsão de aumento das vendas, também crescem as tentativas criminosas de golpes e fraudes, que já atingiram mais de 45 mil pessoas em edições passadas. Em sua maioria, tratam-se de mensagens, perfis, conteúdos e páginas falsas que tentam se passar por grandes marcas de varejo, como Americanas, Walmart e Magazine Luiza.

Uma pesquisa recente realizada pelo site Reclame Aqui mostrou que 8 em cada 10 consumidores não pretendem comprar nada na Black Friday 2021. Além das limitações financeiras, 49% dos entrevistados estão convencidos de que as promoções não passam de fraudes e se sentem desapontados com a data.

A Black Friday 2021 ainda é uma “Black Fraude”?

Pessoa utilizando o celular diante do computador

Embora a desconfiança dos consumidores brasileiros seja muito bem fundamentada, muitas marcas e organizadores da Black Friday 2021 não mediram esforços para consertar os estragos e devolver a credibilidade que o evento precisa ter para conquistar a confiança do público neste ano.

  • Selo de garantia: algumas iniciativas como o selo “Black Friday de Verdade” são adotados por lojas que priorizam a transparência na comunicação com seus clientes, e permitem que suas ofertas sejam analisadas por instituições avaliadoras para garantir sua autenticidade.
  • Código de ética: trata-se de um documento assinado pela Câmara Brasileira de Comércio Eletrônico, que prevê um conjunto de regras a serem seguidas por comerciantes. Isso é feito para visar a obrigação de prestações de informações verdadeiras sobre os descontos oferecidos.
  • Ferramentas de acompanhamento de preços: o Google Shopping e Buscapé, por exemplo, são ótimas alternativas para fazer comparações e saber se os preços estão ou não maquiados.
  • Alertas de promoções falsas: muitas extensões providenciadas por comparadores de preços são capazes de identificar e alertar sobre preços alterados e garantir que os descontos são reais.

O ano de 2020 trouxe muitas perdas financeiras, incertezas e aprendizados. Isso com certeza foi observado no ambiente digital, e atualmente é possível perceber que os consumidores estão mais experientes e habituados a realizarem compras online. Consequentemente, o consumidor também está apto a pesquisar e refletir mais antes de realizar uma aquisição online.

Com a ajuda de novas soluções que trazem segurança para consumidores, é possível minimizar os riscos de fraudes e recuperar, pouco a pouco, a confiança na Black Friday. A data pode sim ser uma excelente oportunidade de comprar produtos com descontos, mas não está isenta de riscos. Por isso, é bom seguir algumas recomendações.

Como evitar uma possível “Black Fraude”?

Antes de tudo, é preciso se preparar para fazer as compras que deseja. Parece óbvio, mas muita gente não faz isso.

Pesquise

O primeiro passo é pesquisar sobre o produto que você quer com antecedência. Assim, você já pode ter uma noção de possíveis alterações no preços, as características ideais do modelo que deseja comprar e como é a política de devolução e troca na maioria das empresas.

Os sites que fazem essa comparação de preços informam seu histórico e fazem simulações da compra com o frete incluso. Isso é importante porque, para compensar uma promoção, um fornecedor pode encarecer a entrega do produto.

Desconfie

É essencial ter cuidado com golpes e fraudes, por isso, nada de sair clicando em qualquer conteúdo que aparecer por aí. Uma mensagem que chegou pelo WhatsApp e diz que há algum produto com um preço incrível prestes a se esgotar em minutos pode ser só um truque para chamar a sua atenção, ou obter os dados do seu cartão de crédito.

Desconfie também de qualquer link que chega por mensagens privadas em redes sociais. Para ter certeza de que uma URL é segura, utilize nosso verificador de links.

Tela de pesquisa de links maliciosos do dfndr lab

Proteja-se

Acesse a lista do PROCON com os sites que você deve evitar durante a Black Friday 2021. Além disso, evite usar computadores públicos para realizar suas compras online. Caso seja inevitável, não acesse o seu internet banking, nem salve as informações do seu cartão de crédito naquele dispositivo.

Por fim, conte com um software de segurança potente em seu computador e smartphone. Ele será capaz de identificar páginas falsas e bloquear o seu acesso antes que você pense em finalizar uma compra.

Curtiu as dicas? Agora que você já sabe aproveitar a Black Friday 2021 sem curtir o risco de cair em uma “Black Fraude”, não pare por aí. Fizemos um post detalhando os principais tipos de fraudes e falhas de segurança que podem prejudicar sua experiência de compras nesta data. Proteja-se e boa leitura!

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